sábado, 25 de dezembro de 2010

Boas Festas



Luna Papa
Realizado por Bakhtyar Khudojnazarov
Alemanha, Japão, Áustria, Suíça, França, Rússia, 1999 Cor -107 min.
Com: Chulpan Khamatova, Moritz Bleibtreu, Ato Mukhamedshanov, Polina Raykina, Merab Ninidze, Nikolai Fomenko, Lola Mirzorakhimova, Sheraly Abdulkaisov, Dinmukhammed Akhimov, Azalbek Nasriev

Numa pequena aldeia não muito longe de Samarcanda, a bela Mamlakat (Khamatova), dezassete anos, órfã de mãe, sonha ser actriz. Numa noite de luar é seduzida por um estranho misterioso que diz ser amigo de Tom Cruise. O homem desaparece na escuridão, deixando Mamlakat grávida. Para o seu pai, Safar (Mukhamedshanov), e para o seu irmão, Nasreddin (Bleibtreu), a restauração da honra da família é uma questão de orgulho e tanto eles como a jovem querem encontrar o responsável. Na barriga da mãe, Khabibulla (Raykina, voz) partilha as aventuras inacreditáveis e acidentes curiosos que acontecem aos três, enquanto procuram o seu pai. (Sinopse do distribuidor)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Acto Gratuito















No célebre romance de André Gide, Les caves du Vatican, o herói, um jovem muito imaginativo, quer provar a si próprio que se podem executar certos actos sem qualquer razão válida. Tais actos não teriam fundamento senão em si próprios.

O jovem lança à linha um viajante desconhecido que ocupa com ele a mesma cabina do comboio. É um assassínio sem razão: não se lhe pode atribuir qualquer um dos motivos convencionais que acompanham os homicídios: interesse material, vingança, demência, paixão, agressividade social, etc.

Com este exemplo, Gide assinala a possibilidade do acto puro, do acto gratuito, e pretende demonstrar que, ao longo da sua existência, o homem é capaz de executar acções puramente externas a si próprio, sem qualquer compromisso. Quem não vê, porém, que a teoria do acto gratuito se baseia num postulado artificial? Sem dúvida, em si mesmo o acto parece independente de qualquer causa. Contudo, o facto de querer que ele exista, executando-o, é suficiente para o provocar. Este acto tem, portanto, uma causa e é bastante paradoxal pretender que a não tenha. O herói foi impelido a agir a fim de demonstrar que o seu pensamento estava correcto.


Albert Collette, Introdução à Psicologia Dinâmica